
Obra 43 · Parede 3
25 de Outubro
1981
- Autor
- Elifas Andreato
- Ano
- 1981
- Técnica
- Acrilica e lapis sob tela
- Dimensão do original
- 60cm x 60cm
Conexão com a história
Veja 1981 na linha do tempoAudiodescrição
Imagine uma tela quadrada de sessenta por sessenta centímetros, onde o artista Elifas Andreato, em 1981, utilizou tinta acrílica e lápis para criar uma imagem impactante intitulada "25 de Outubro". A obra nos apresenta uma cena forte e simbólica carregada de elementos que remetem ao suplício e à opressão. No centro da composição, vemos o corpo de um homem magro, de pele clara, com o tronco nu e os músculos tensionados, posicionado de forma quase reclinada sobre uma estrutura que lembra uma cadeira de tortura feita de madeira e metal. Ele está preso por várias correias escuras e cordas finas. Sua cabeça está pendida para trás, coberta por um pano rosa que esconde seu rosto, e seu braço esquerdo cai frouxo em direção ao chão, com um cadeado e correntes prendendo seu pulso machucado. Já o braço direito está enfaixado e estendido para cima, com os dedos curvados como se apontassem para algo.
Ao observar os detalhes, notamos que seus pés estão amarrados e há um prego cravado em um dos tornozelos, de onde escorre um pouco de sangue. Logo abaixo, no chão claro, vemos um par de sandálias vazias, como se tivessem sido tiradas à força. O cenário ao redor desse homem é fragmentado. Atrás dele, destaca-se uma janela com grades pretas e grossas, através da qual avistamos um céu noturno azul-profundo, pontilhado de estrelas e uma lua crescente. No topo dessa grade, uma lâmpada nua e amarelada brilha dentro de uma forma geométrica pontiaguda, lançando feixes de luz que atravessam a cena. À esquerda, envolta em uma fumaça cinzenta, aparece uma jaqueta de tom terroso, como se flutuasse ou pertencesse a uma lembrança. Do mesmo lado, um bloco azul está conectado ao pé do homem por fios elétricos. Há ainda outros elementos mecânicos espalhados, como uma engrenagem azulada e roldanas, que reforçam a frieza do ambiente. A técnica de Andreato mistura o preenchimento suave da acrílica com traços precisos de lápis, criando uma atmosfera que transita entre o realismo do corpo sofrido e o simbolismo dos objetos ao redor, convidando-nos a refletir sobre um momento sombrio da nossa história.
