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Obra 52: Murro em Ponta de Faca, de Elifas Andreato, 1978. Técnica: Acrilica e plapis sob tela.

Obra 52 · Parede 3

Murro em Ponta de Faca

1978

Áudio-descrição
Autor
Elifas Andreato
Ano
1978
Técnica
Acrilica e plapis sob tela
Dimensão do original
40cm x 30cm

Conexão com a história

Contexto na linha do tempo — 1979

Audiodescrição

Estamos diante de um cartaz vertical de fundo bege claro, envelhecido, que carrega uma carga visual muito forte e simbólica. Esta obra, intitulada Murro em Ponta de Faca, foi criada pelo artista Elifas Andreato em 1978, utilizando uma técnica que combina tinta acrílica e lápis sobre tela em um formato original de 40 por 30 centímetros. No centro da imagem, vemos o busto de um homem, identificado na base da figura como um retrato de Augusto Boal. Ele aparece de frente, vestindo uma jaqueta escura, possivelmente de couro ou um material pesado, sobre uma camisa de gola aberta em tons terrosos. O que mais impressiona nesta figura é o seu rosto: toda a face de Boal, mantendo o contorno dos olhos, nariz e boca, está coberta por uma enorme impressão digital em preto e branco. As linhas curvas e concêntricas da digital substituem a textura da pele, criando uma sensação de anonimato ou de ficha policial, reforçada por uma placa retangular fixada na altura do peito com a data 17 de março de 1971. Atrás do homem, o fundo é preenchido por diversas marcas de carimbos de imigração e passaportes, com dizeres como "São Paulo", "Exilado" e "Migration Officer", remetendo diretamente ao contexto de perseguição e exílio. Um desses carimbos, à direita, exibe uma mancha vermelha vibrante, como um respingo de sangue. Na parte superior do cartaz, o título da peça aparece em letras grandes e azuis, acompanhado pelos créditos do espetáculo, que inclui nomes como Chico Buarque na música e Paulo José na direção. A iluminação recai sobre o centro do rosto e o pescoço do personagem, destacando o contraste entre as sombras da jaqueta e o tom amarelado do fundo, conferindo à obra uma atmosfera dramática e histórica de resistência. No canto inferior direito, a assinatura de Elifas Andreato marca a autoria deste importante registro da cultura brasileira.