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Obra 37: Almanaque, de Elifas Andreato, 1986. Técnica: Colagens gráficas e fotografia.

Obra 37 · Parede 2

Almanaque

1986

Áudio-descrição
Autor
Elifas Andreato
Ano
1986
Técnica
Colagens gráficas e fotografia
Dimensão do original
30cm x 30cm

Conexão com a história

Veja 1986 na linha do tempo

Audiodescrição

Olá! Imagine que você tem em mãos a capa de um disco, quadrada, com 30 centímetros de lado. Esta é a obra número 37, intitulada "Almanaque", criada pelo artista Elifas Andreato em 1986. Nela, Elifas utiliza uma mistura de colagens gráficas e fotografia para construir uma imagem que remete aos antigos calendários de parede e folhinhas religiosas.

O fundo da imagem é inteiramente branco. Logo no topo, centralizado, o nome "CHICO BUARQUE" aparece em letras maiúsculas, num tom de vermelho escuro e sólido. Logo abaixo do nome, há um grafismo que lembra um portal ou uma moldura rebuscada de almanaque antigo. Nele, a palavra "ALMANAQUE" está escrita em letras verdes com contorno dourado, levemente curvada para cima, dentro de uma faixa amarela. Nas laterais dessa faixa, pequenos retângulos trazem a inscrição "Janeiro de 1982" em uma caligrafia clássica.

O elemento visual mais marcante está no centro da composição: é uma fotografia em preto e branco do rosto de Chico Buarque, mas vemos apenas os seus olhos, o nariz e a boca. A imagem não tem contornos definidos; ela parece surgir suavemente do fundo branco através de um efeito de pontilhismo ou retícula de impressão. Os olhos do artista estão bem abertos, com um olhar direto e sereno voltado para nós.

Ao redor desse rosto, preenchendo as laterais e a parte de baixo da capa, estão dispostas as tabelas de um calendário completo do ano de 1982. Cada mês está organizado em colunas com letras pequenas e pretas, indicando o dia do mês, o dia da semana e o nome de um santo correspondente, como era comum nos almanaques populares. Os domingos e feriados ganham destaque na cor vermelha.

No rodapé, centralizado entre os meses de agosto e setembro, há um pequeno selo com o ano de 1982 e o logotipo da gravadora Ariola, acompanhado de um globo terrestre estilizado. Quatro pequenos ornamentos gráficos, que lembram flores de lis ou detalhes em ferro batido, decoram os cantos superiores da composição, reforçando essa estética de material impresso antigo e nostálgico. A obra, como um todo, transmite uma sensação de organização e memória, transformando o rosto do artista em parte integrante do tempo e do cotidiano registrado no papel.