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Obra 38: Calabar, de Elifas Andreato, 1974. Técnica: Couro, pirografo, acrilica e colagens.

Obra 38 · Parede 2

Calabar

1974

Áudio-descrição
Autor
Elifas Andreato
Ano
1974
Técnica
Couro, pirografo, acrilica e colagens
Dimensão do original
60cm x 40cm

Conexão com a história

Veja 1974 na linha do tempo

Audiodescrição

Imagine um cartaz vertical que impacta logo de primeira pela força visual. É a arte que Elifas Andreato criou em 1974 para a peça Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra. A obra original tem 60 por 40 centímetros e é muito tátil, pois o artista utilizou uma mistura de couro, pirogravura, tinta acrílica e colagens. No topo, sobre um fundo preto, o título "Calabar" aparece em letras vermelhas gigantes e rústicas, que parecem escorrer como sangue. Logo abaixo, em letras amarelas, vemos os nomes dos autores.

A imagem central é o tronco de um homem sem pele, de frente para nós, exibindo toda a sua musculatura em tons de rosa, vermelho e preto, sobre um fundo branco bem limpo. No lugar onde estaria a pele do peito e da barriga, há uma grande colagem de couro legítimo, de formato irregular e bordas levemente queimadas, como se tivesse sido arrancada. Nesse pedaço de couro, Elifas usou o pirógrafo para gravar desenhos detalhados: uma serpente que se enrola em uma garrafa de bebida, uma coroa na parte superior, uma rosa à esquerda e uma adaga à direita. Na parte de baixo do couro, uma faixa traz a frase "O elogio da traição".

O contraste é forte: de um lado, a anatomia crua do corpo humano e, do outro, essa textura rústica e terrosa do couro sobreposta ao peito. Nas laterais superiores, textos em preto informam o elenco, a direção de Fernando Peixoto e os nomes da equipe técnica, indicando que as apresentações aconteceriam no Teatro São Pedro. É uma imagem densa, que passa uma sensação de crueza e resistência, típica do período em que foi produzida.