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Obra 61: Bandahismo, João Bosco, de Elifas Andreato, 1981. Técnica: Acrilica e plapis sob tela.

Obra 61 · Parede 3

Bandahismo, João Bosco

1981

Áudio-descrição
Autor
Elifas Andreato
Ano
1981
Técnica
Acrilica e plapis sob tela
Dimensão do original
30cm x 30cm

Conexão com a história

Veja 1981 na linha do tempo

Audiodescrição

Imagine um quadro quadrado, com trinta centímetros de lado, que mistura a força do desenho à crueza das notícias de jornal. Esta é a obra "Bandahismo", criada em 1981 pelo artista Elifas Andreato para um projeto do músico João Bosco. Usando uma combinação de tinta acrílica e lápis sobre tela, o artista constrói uma imagem vibrante e carregada de movimento. No centro da composição e ocupando quase todo o espaço da esquerda para a direita, vemos quatro perfis de rostos masculinos que se sobrepõem, como se estivessem em uma sequência cinematográfica ou em um rastro de movimento. Todos estão voltados para a direita, com as bocas bem abertas em um gesto de canto ou grito fervoroso. O primeiro rosto à esquerda surge envolto em tons azulados e arroxeados frios, enquanto os seguintes ganham gradualmente cores quentes, passando para um laranja intenso, um vermelho vivo no interior das bocas e tons de pele mais naturais e terrosos nos rostos à direita. As expressões são intensas, com olhos serrados e dentes à mostra, transmitindo uma sensação de urgência e desabafo. Quase no rodapé, diante desses rostos, há o desenho pequeno e detalhado de um copo de vidro transparente, contendo uma bebida branca, como se fosse uma dose de cachaça. O pano de fundo dessa cena é o que mais chama a atenção: trata-se de uma colagem de recortes de jornais de época, com letras de diversos tamanhos em tons de sépia e vermelho. As manchetes trazem temas sociais pesados daquele início de década, mencionando violência urbana, desigualdade social, problemas na infância e questões trabalhistas. As palavras do fundo parecem se transformar na própria pele e na voz desses homens, fundindo a arte com a realidade das ruas. A iluminação é difusa, vindo da direita, o que destaca os volumes dos narizes e dos lábios abertos, criando uma atmosfera que equilibra a beleza do canto com o peso da denúncia social feita há mais de quarenta anos.