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Obra 88: Martinho da Vida, de Elifas Andreato, 1990. Técnica: Lapis e fotografia.

Obra 88 · Trainel Martinho

Martinho da Vida

1990

Áudio-descrição
Autor
Elifas Andreato
Ano
1990
Técnica
Lapis e fotografia
Dimensão do original
30cm x 30cm

Conexão com a história

Contexto na linha do tempo — 1991

Audiodescrição

Nesta imagem quadrada, de trinta por trinta centímetros, somos convidados a observar de perto o processo criativo de Elifas Andreato em sua obra intitulada Martinho da Vida, de 1990. A composição é uma mistura fascinante entre fotografia e desenho a lápis, criando um efeito de metalinguagem, como se estivéssemos vendo o artista no exato momento em que dá vida ao retrato. No centro da tela, sobre um fundo branco e limpo, surge o rosto de Martinho da Vila desenhado com traços finos e delicados de lápis. O rosto está em processo de finalização: enquanto a parte superior da cabeça e o contorno do cabelo crespo são apenas linhas sutis, o olhar, o nariz e a boca já ganham volume e expressão. Martinho nos encara de frente, com uma fisionomia serena. Sua barba e bigode são detalhados com hachuras precisas, e a região dos olhos apresenta um sombreamento suave que dá profundidade à face. O que torna essa obra única é a presença de duas mãos reais, fotografadas, que parecem brotar das laterais inferiores e interagir diretamente com o desenho. Essas mãos têm a pele clara e estão cobertas por texturas de tinta seca, com respingos e manchas nas cores branco, azul e vermelho, revelando o ofício do artista. A mão esquerda está espalmada, com os dedos tocando levemente a bochecha do desenho de Martinho, como se o amparasse. Já a mão direita segura um pincel fino e escuro, direcionado exatamente para o olho esquerdo do sambista, simulando o toque final da pintura. Abaixo do queixo de Martinho, centralizada, vemos a assinatura de Elifas Andreato dentro de um pequeno contorno oval. Toda a cena é emoldurada por uma borda preta com contornos irregulares, reforçando a ideia de que estamos olhando para um fragmento vivo de criação, onde o real e o artístico se fundem de forma harmoniosa e poética.