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Obra 9 · Parede 1
Ultima Hora
1969
- Autor
- Elifas Andreato
- Ano
- 1969
- Técnica
- Ecoline, nanquim, acrilica sob tela
- Dimensão do original
- 40cm x 30cm
Conexão com a história
Veja 1969 na linha do tempoAudiodescrição
Imagine que você tem em mãos a primeira página de um jornal antigo, mas que na verdade é uma obra de arte criada por Elifas Andreato em 1969. Este trabalho, intitulado Ultima Hora, mede quarenta centímetros de altura por trinta de largura e utiliza uma mistura interessante de materiais: nanquim para os contornos, ecoline e tinta acrílica sobre tela. O aspecto geral é de um papel envelhecido, com aquele tom amarelado característico do tempo, trazendo uma forte carga histórica da época da ditadura militar no Brasil.
Na parte superior, vemos o cabeçalho clássico do jornal Ultima Hora em letras azuis e arredondadas. Abaixo do título, há informações da edição de domingo, 23 de março de 1969, custando vinte e cinco centavos. Nas laterais desse cabeçalho, pequenas chamadas de notícias em letras vermelhas mencionam temas variados como cortiços, o Líbano e até o Corinthians. Logo abaixo de tudo isso, uma manchete impactante em letras pretas garrafais ocupa toda a largura da página com as palavras: SEXO E VIOLÊNCIA.
Bem no centro da tela, dentro de um quadro retangular, a ilustração de Elifas ganha vida sob essa manchete. Não é uma fotografia, mas sim uma composição de figuras humanas estilizadas, com contornos pretos e preenchimentos coloridos que parecem manchas de aquarelas em tons de azul, verde, laranja, vermelho e amarelo. A cena é caótica e sobreposta, sugerindo um confronto. Podemos identificar figuras de militares com capacetes e fardas em tons de verde e azul escuro; um deles levanta um cacetete preto, em posição de ataque. Ao redor dele, há outras pessoas em posições de queda ou resistência, incluindo uma figura caída em primeiro plano com botas pretas pesadas e calça azul, e um personagem à esquerda usando um capacete que lembra o de um motociclista ou piloto, com óculos amarelos.
Espalhadas pela cena, aparecem silhuetas menores, quase como sombras em tons de roxo e rosa, que parecem correr ou clamar por ajuda. As cores não respeitam rigorosamente os limites dos desenhos, o que dá uma sensação de movimento e urgência, como se a realidade estivesse se desmanchando. No canto inferior direito da ilustração, quase discretamente, aparece a assinatura do artista e o ano de sessenta e nove. É uma obra que usa a estética do design gráfico e do jornalismo para fazer uma crítica social poderosa, fundindo a notícia e a expressão artística em um único plano.
